Sábado, Maio 27, 2006

Bolonha - uma oportunidade ou uma ameaça?


Os finalistas de 2006 precisaram de 4 anos de licenciatura para se formarem, mas já a partir do próximo ano, os estudantes já só vão precisar de 3 anos para ficarem a este nível.

Está então na altura de vos apresentar o Processo de Bolonha, seus pontos fortes e suas fraquezas.

Em Junho de 1999, os ministros de 29 países europeus (actualmente mais de 40 países) definiram as bases para a construção do Espaço Europeu do Ensino Superior que se quer unido, competitivo e atraente para docentes e estudantes até 2010.

A qualidade e eficácia devem manter-se através da adopção de um sistema de 2 ciclos (o pré e o pós graduado). Deve-se estabelecer um sistema de transferência e acumulação de créditos: os ECTS, e remover obstáculos à mobilidade e reconhecimento de habilitações dos estudantes.
Devem criar-se condições para que os estudantes criem gosto pelo saber e pelo conhecimento.
Esta mobilidade é uma questão importante porque é por si só uma fonte de aprendizagem – contacto com diversas realidades culturais, bem ao estilo da experiência ERASMUS mas num âmbito alargado!

Com Bolonha, o ensino está centrado nos objectivos individuais de formação do estudante, de acordo com a profissão que pretende exercer. Como actualmente se trabalha por ciclos curtos, os trabalhos tendem a ser temporários e por projectos, daí que é inevitável ao estudante que tenha sido formado com base numa maior diversidade e cada vez mais terá de apostar na aprendizagem ao longo da vida, porque só inovando conseguirá vingar num mundo altamente competitivo e global.
A partir de agora será possível promover o acesso, transferência, mobilidade e comparabilidade das formações no espaço europeu do ensino superior.

A máxima de um emprego para a vida já não é válida e os estudantes sabem disso, por isso querem investir em maiores conhecimentos gerais.

Isto que disse acima é uma ideia muito geral do que é o processo de Bolonha, mas e na realidade o que é vai mudar para os futuros licenciados?


Na minha opinião os futuros licenciados vão obter mais por menos. Vão ter mais facilidade a tirar um curso superior e vão ter mais competência com menos tempo de estudo, vão ser mais especializados. Até aqui concordo com o processo de Bolonha, pode ser que de uma vez por todas tirem aquelas cadeiras que existem em todos os cursos e que não servem para nada a não ser ocupar carga horária. Acredito mesmo que o objectivo da licenciatura deixe de ser o da entrada no mercado de emprego mas antes uma preparação para estudos superiores.

No entanto há algo que me deixa um pouco céptica: até que ponto alguém irá fazer mais intercâmbio do que já se faz agora?

É esta uma das muitas vantagens do processo de Bolonha mas será assim mesmo? Há colegas meus que fizeram Erasmus, estudaram no estrangeiro (Europa e EUA), estão a tirar masters em Londres, doutoramentos em Espanha, pós – graduações na Suiça… A meu ver, quem quer mesmo estudar fora de Portugal fá-lo com o sistema que existe actualmente. Gostaria de ver as estatísticas daqui a 10 anos que mostrassem o aumento da quantidade de estudantes de intercâmbio!

Resta-nos aguardar pelos resultados, onde se espera que a qualidade não se degrade pela contracção da durabilidade do curso e que o mercado de trabalho não seja injusto para com os antigos licenciados, que estes não sejam desmerecidos por terem tido uma diferente formação.

Numa Europa unida, com a mesma moeda, um parlamento europeu, quem sabe brevemente com uma constituição europeia faz todo o sentido que exista um sistema de ensino superior equivalente em todos os países, mas não é preciso dramatizar as vantagens deste processo! Cá para mim o que se vai passar é que os masters e os doutoramentos comecem a ser tão vulgares como uma licenciatura e lá se terá de inventar mais um título para diferenciar uns dos outros. O ensino é elitista e não é o processo de Bolonha que vai mudar esta realidade nacional.

Sexta-feira, Maio 05, 2006

Bons velhos tempos...

Recebi este e-mail e achei pertinente publicá-lo aqui ao invés de o reencaminhar, pois deste modo até vos posso convidar a reflectir sobre aquela que foi a nossa geração e a geração que agora é fruto das novas tecnologias.

De acordo com os reguladores e burocratas de hoje, todos nós que nascemos nos anos 60, 70 e princípio de 80 não devíamos ter sobrevivido até hoje, porque as nossas caminhas de bebé eram pintadas com cores bonitas em tinta à base de chumbo que nós muitas vezes lambíamos e mordíamos.
Não tínhamos frascos de medicamento com tampas "à prova de crianças" ou fechos nos armários e podíamos brincar com as panelas.
Quando andávamos de bicicleta, não usávamos capacetes. Quando éramos pequenos viajávamos em carros sem cintos e airbags - viajar à frente era um bónus.
Bebíamos água da mangueira do jardim e não da garrafa e sabia bem. Comíamos batatas fritas, pão com manteiga e bebíamos gasosa com açúcar, mas nunca engordávamos porque estávamos sempre a brincar lá fora. Partilhávamos garrafas e copos com os amigos e nunca morremos disso.
Passávamos horas a fazer carrinhos de rolamentos e depois andávamos a grande velocidade pelo monte abaixo, para só depois nos lembrarmos que esquecemos de montar uns travões. Depois de acabarmos num silvado, aprendíamos. Saímos de casa de manhã e brincávamos o dia todo, desde que estivéssemos em casa antes de escurecer. Estávamos incontactáveis e ninguém se importava com isso. Não tínhamos Play Station, X Box. Nada de 40 canais de televisão, filmes de vídeo, home cinema, telemóveis, computadores, DVD, Chat na Internet. Tínhamos amigos - se os quiséssemos encontrar íamos à rua. Jogávamos ao elástico e à barra e a bola até doía! Caíamos das arvores, cortávamo-nos, e até partíamos ossos mas sempre sem processos em tribunal. Havia lutas com punhos mas sem sermos processados. Batíamos às portas de vizinhos e fugíamos e tínhamos mesmo medo de sermos apanhados. Íamos a pé para casa dos amigos. Acreditem ou não íamos a pé para a escola; não esperávamos que a mamã ou o papá nos levassem.
Criávamos jogos com paus e bolas. Se infringíssemos a lei era impensável os nossos pais nos safarem, eles estavam do lado da lei. Esta geração produziu os melhores inventores e desenrascados de sempre.
Os últimos 50 anos têm sido uma explosão de inovação e ideias novas.
Tínhamos liberdade, fracasso, sucesso e responsabilidade e aprendemos a lidar com tudo. És um deles? Parabéns!
Passa esta mensagem a outros que tiveram a sorte de crescer como verdadeiras crianças, antes dos advogados e governos regularem as nossas vidas, "para nosso bem". Para todos os outros que não têm idade suficiente pensei que gostassem de ler acerca de nós.
Isto meus amigos é surpreendentemente medonho ... e talvez ponha um sorriso nos vossos lábios: A maioria dos estudantes que estão nas universidades hoje nasceram em 1986...chamam-se jovens. Nunca ouviram "we are the world" e "Uptown Girl" conhecem de Westlife e não Billy Joel. Nunca ouviram falar de Rick Astley, Bananarama ou Belinda Carlisle. Para eles sempre houve uma Alemanha e um Vietname. A SIDA sempre existiu. Os CD's sempre existiram. O Michael Jackson sempre foi branco. Para eles o John Travolta sempre foi redondo e não conseguem imaginar que aquele gordo fosse um dia deus da dança. Acreditam que Missão Impossível e Anjos de Charlie são filmes do ano passado. Não conseguem imaginar a vida sem computadores. Não acreditam que houve televisão a preto e branco.

Agora vamos ver se estamos a ficar velhos:
1.. Entendes o que está escrito acima e sorris
2.. Precisas de dormir mais depois de uma noitada
3.. Os teus amigos estão casados ou a casar
4.. Surpreende-te ver crianças tão à vontade com computadores
5.. Abanas a cabeça ao ver adolescentes com telemóveis
6.. Lembras-te da Gabriela (a primeira vez)
7.. Encontras amigos e falas dos bons velhos tempos

SIM ESTÁS A FICAR VELHO!! (mas a idade é um estado de Espírito, certo!?)
Pode haver coisas de que não se lembram mas sendo da geração de 80, acredito que há muitas outras que vos são ou foram familiares!!!

Quinta-feira, Maio 04, 2006

Seminário - Inteligência colectiva

O que vos sugere Inteligência Colectiva?
IC refere-se à capacidade humana de em comunidades se alcançarem maiores redes de conhecimento, complexas através da colaboração e da inovação.

Para clarificar um pouco o tema recorro a duas citações que acabam por sintetizar o que vos quero dizer:

De Thomas Jefferson:
«He who receives an idea from me, receives instruction himself without lessening mine; as he who lights his taper at mine, receives light without darkening me.»
Por outras palavras, aquele que tem uma ideia através de uma ideia minha, não faz com que a minha seja inferior ou desactualizada, antes acaba por completá-la e dar-lhe um novo rumo que não teria surgido sem a minha ideia.

De Roberto Carneiro:
«No universo da inteligência colectiva ou partilhada as pirâmides são substituídas por árvores do conhecimento e a aprendizagem produz-se em sistemas abertos e ligados em rede, ou seja, mediante a construção de verdadeiras comunidades do saber…»
Com esta citação proponho-me a esclarecer de que forma a inteligência colectiva incentiva a aprendizagem e qual o papel que os professores têm nesta temática.

Lembro que aonde quer que vamos, encontramos teses, artigos, que podemos consultar e a partir deles abordarmos outras questões, assim como também podemos colocar as nossas sugestões e opiniões que podem incentivar outras reflexões.

Em rede, vale tudo e mesmo sem termos bem a noção disso estamos perante esta nova revolução a que já se chama de Revolução Invisivel.

Sábado, Abril 29, 2006

Internet democrática?

Quando se fala de democracia, de imediato se pensa num sistema de governo que se baseia na vontade da maioria. Mas se quisermos alargar esta questão à Internet teremos de pensar se esta é mesmo governada pelos utilizadores ou se há algum organismo por detrás dela.

Primeiro que tudo a utilização da Internet é um privilégio e não um direito, o que por si só quer dizer que há ainda quem continue a ficar de fora desta rede inesgotável de comunicações, ou seja, continuam a existir os Info-excluídos e os privilegiados. Por outro lado se não é um direito, a cada utilizador é exigido um conjunto de regras e de procedimentos que deve respeitar.

Tendencialmente surgirá a ideia de que a Internet é democrática já que coloca nas nossas mãos o poder de escolha a cada vez que procuramos, recebemos e trocamos informação e também quando partilhamos opiniões e interesses comuns em fóruns e comunidades virtuais. Mas não podemos esquecer que existem acções e opiniões que serão aceites numa rede mas que podem muito bem ser controladas ou proibidas noutra.

Pode não ser do conhecimento de todos mas existe um código de conduta constituído por um conjunto de regras e de boas maneiras que permitem definir aquela que é a Netiqueta. Até pode ser que ninguém vá preso por desrespeitar as regras (a não ser em casos extremos como a pedofilia) mas os infractores podem ser punidos de forma severa.
Exemplos de Netiqueta: comentários em fóruns que não firam susceptibilidades, criticas construtivas e não destrutivas ou o consultar a lista de FAQ antes de colocar uma nova questão.
Acima de tudo, o tipo de conduta de um utilizador deve ser de bom senso.
Só seguindo a Netiqueta é que será possível contribuir para uma Internet livre, civilizada e democrática, que permita a vivência virtual suportável.

É importante sublinhar que se os utilizadores perceberem que na Internet se devem auto-regular (pelo bom senso), menor será a repressão e a intervenção dos Estados e também das companhias de telecomunicações, logo mais democracia na Internet.

E perante isto apresento-vos os 10 Mandamentos divulgados pelo Instituto da Ética da Internet que de maneira sucinta enumera tudo aquilo que nós sabemos que não devemos fazer porque pelo facto de se poder fazer determinada coisa, não quer dizer que se deva fazer.

1. Não deverá utilizar o computador para prejudicar terceiros.
2. Não deverá interferir com o trabalho informático de terceiros.
3. Não deverá vasculhar os ficheiros informáticos de terceiros.
4. Não deverá utilizar o computador para roubar.
5. Não deverá utilizar o computador para prestar falsos testemunhos.
6. Não deverá utilizar ou copiar software pelo qual não pagou.
7. Não deverá utilizar os recursos informáticos de terceiros sem autorização.
8. Não deverá apropriar-se do trabalho intelectual de terceiros.
9. Deverá pensar nas consequências sociais daquilo que escreve.
10. Deverá utilizar o computador com respeito e consideração por terceiros.

A Internet não tem um regulamento, não é por assim dizer fiscalizada é antes caracterizada por esta auto-regulação que de certo modo se pode considerar efectiva. Contudo e a comprovar que a Internet não é democrática existem organismos como a ICANN que criam algumas barreiras.

Não existe de facto nenhum poder central, não há maneira de colocar um entrave à Internet pois os seus próprios criadores quando a conceberam, fizeram-na de maneira a que ela nunca fosse deitada abaixo, e por isso hoje em dia, quando um site de download de músicas ilegais é encerrado, se for preciso no dia seguinte surge um novo site com os mesmos conteúdos. Porém tal como os outros meios de comunicação o conteúdo dos sites é submetido às regras e leis dos Estados em que os servidores se encontram como é o caso do governo chinês que proíbe a procura de determinadas palavras-chave. Uma vez que os Estados têm o direito de formular políticas que visam o bem-estar de uma população inteira.

A Teoria das Redes por outras palavras diz-nos que a própria essência da Internet não pode ser democrática porque são demasiadas redes conectadas a partilhar informação e nem todas são reguladas da mesma forma. Também já se sabe que onde quer que haja actividade humana, haverá sempre uma ordem social, que de forma mais ou menos intensa se vai fazer sentir também na Internet.

Os próprios motores de busca divulgam-nos aqueles que são os sites mais procurados, não necessariamente aqueles que mais perto estão da verdade dos factos ou daquilo que realmente nos interessa, não nos conferindo a hipótese de escolha entre aquilo que é positivo e aquilo que não é.

O artigo de Cees J. Hamelink é extensivo na maneira como aborda os termos defendidos durante a Cimeira Mundial sobre a Sociedade da Informação, que veio reafirmar o direito à liberdade de expressão, recomendou estratégias nacionais e exigiu a criação de um grupo de trabalho para a governação da Internet.

Tendo como base a Declaração Universal dos Direitos Humanos, todos têm direito a:

  • Liberdade de expressão e de opinião
  • Liberdade de acesso e confidencialidade
  • Privacidade e segurança

Muito se fala em liberdade mas já dizia a velha máxima que 'a minha liberdade termina quando interfere na liberdade dos outros' e por isso há que respeitar a privacidade de todos, não seria muito agradável se numa noite nos divertíssemos com os amigos e no outro dia encontrássemos fotos nossas a circular com comentários malignos.

Assim como também não é nada positivo a apropriação da propriedade intelectual, que leva à perda de vontade em inovar e em criar, neste ponto concordo com a regulação da Internet pois modificações num trabalho sem o consentimento do autor é excessivamente desrespeitoso.

Já aconteceu a todos nós receber na nossa caixa de correio electrónico, mensagens que não solicitámos. O SPAM é já um velho conhecido por razões negativas, ora nos enche a caixa ora nos faz tomar consciência de que fazemos parte de extensas mailing lists em que não nos inscrevemos e que correm o mundo.

Contudo há sempre o reverso da medalha, se apoiarmos uma Internet democrática teremos de saber lidar com aqueles que se aproveitam dos recursos e das tecnologias da informação para fins criminosos e terroristas.

E se foi a segurança de informação e da rede, a garantia de privacidade, os critérios que permitiram criar confiança entre os utilizadores na Internet, estes devem ser preservados.
Os governos em cooperação como o sector privado deveriam conseguir impedir, detectar e tomar medidas contra o cibercrime e a utilização abusiva da Internet (por ex: pirataria à larga escala). Tratando-se agora de um meio de massas e não de elite, a população encontra-se muito mais exposta e nem sempre pode ter o sentido apurado de que nem tudo é verdadeiro, que nem todas as opiniões têm a mesma validação e que no fundo é preciso acautelarmo-nos porque a liberdade de expressão e a grande diversidade em excesso trazem consequências como por exemplo a exposição e o anonimato que não permite identificar aqueles que têm uma má conduta.

Se a Internet é a rede das redes, se já foi considerada por muitos de auto-estrada da informação, se chega a mais de 250 milhões de pessoas em mais de 100 países, ela deveria por um lado permitir a promoção do acesso universal à rede; promover direitos humanos com destaque para direitos da liberdade de expressão, mas por outro impor alguns princípios na governação da Internet para que a segurança e a confiança permaneçam.

A Internet oferece uma oportunidade única e decisiva para a globalização e representa o futuro… infelizmente há quem não respeite o espaço e privacidade dos outros e coloque este meio numa situação que nos faz ter algum receio.

Gostava de deixar para reflexão a questão da netiqueta, procuram segui-la através do vosso bom senso? E quanto aos mandamentos? Já violaram algum? Leiam bem o 6º e o 8º!!! :p

Sábado, Abril 01, 2006

Eureka - Pioneirismo & Criatividade


A questão que se deve colocar é se podemos ser demasiado criativos.
R: Depende! Se não implicar perder valor, sim a criatividade é bem vinda, se trouxer grandes alterações e prejuizos, mais vale voltar ao produto que garante sucesso e não investir num novo.
Num mercado que se entende por altamente competitivo em que muitos produtos, de todas as formas e feitios são colocados ao dispor do cliente, feitas as contas são poucos aqueles que conseguem vingar. Quer isto dizer que muita criatividade é dispensada, porque não é recompensada com o aumento do número de vendas.
Contudo, se não houver criatividade, o mercado estagna. Esta forma de fazer perguntas ao mundo para descobrir necessidades e procurar novas combinações das coisas que já existem é o que dá sentido ao mercado da oferta e da procura que faz as empresas empenharem-se em acrescentar valor ao cliente.
Já dizia George Keller: "Creativity, it has been said, consists largely of re-arranging what we know in order to find out what we do not know", e com isto nos sugere que a criatividade é indispensável.
Inovar não tem necessariamente que significar complicar o processo de produção, porque as coisas querem-se simples, fáceis de aceder, que satisfaçam as necessidades dos clientes sem o desmérito pelo lucro das empresas.
O que acontece com a inovação em demasia é que o lançamento de novos produtos que exigem alterações complexas no interior de uma empresa, fazendo com que os custos aumentem e as margens reduzam.
Quanto mais agressiva é uma empresa a inovar um produto, mais fraco será o resultado e para isso lembremo-nos do serviço WAP das empresas de telecomunicações que fizeram grandes investimentos, não contando com a não adesão do público a quem um serviço caro e incompleto de Internet não satisfazia nem um pouco.
Depois ainda há a outra face da moeda, é que inovação e criatividade implicam a educação de todo um mercado que não se encontra preparado para determinado produto e que com esta educação, também a sua concorrência sai vencedora, isto porque criatividade significa ser original, curioso e pioneiro. Se não lembremo-nos de Leonardo da Vinci, um homem cuja criatividade e pioneirismo deu origem a invenções como: salva-vidas, pára-quedas ou a bicicleta.
É importante ainda acrescentar que a Internet nos abriu as portas a um novo mundo, permitindo às pessoas serem criativas nas suas pesquisas, nas suas compras e até mesmo na construção de páginas pessoais e sites temáticos.
A potencialidade do e-mail, o contacto imediato com aqueles que estão longe, os serviços a que se pode aceder, são alguns dos instrumentos que permitiram a Vinton Cerf (um dos pais da Internet) dizer que a maior conquista da Internet "foi soltar a criatividade de muitos milhões de pessoas. Muitos criaram novos conteúdos para a Internet que estão dispostos a partilhar."
A criatividade é sim importante para nos distinguirmos dos outros mas tem que ser uma criatividade equilibrada que não traga complexidade à estrutura da organização, já que de uma forma geral a criatividade não compensa os gastos dispendidos em alterações significativas.
Fica a questão: São os portugueses criativos ou não, deste ponto de vista?

Domingo, Março 12, 2006

Sociedade de Informação

Fazer um log-in no MSN, no hi5, num blogue e noutras comunidades virtuais podem ser um dado adquirido para nós estudantes com acesso ao computador e à internet a partir do conforto dos nossos lares, mas não podemos esquecer todos aqueles info-excluidos para quem a internet é uma regalia ocasional ou para aqueles que com mais de 25 anos e com baixa escolaridade, o MSN continua a ser um enigma por desvendar. E quem diz MSN, diz fazer uma compra online, consultar os movimentos de conta, ver a factura electrónica do operador de rede móvel, fazer um curso por e-learning, trabalhar a partir de casa, pesquisar informação para um trabalho ou o mais simples de tudo - enviar um e-mail.

Está mais do que presente nas cabeças de cada um nós, de que Portugal continua a ter uma baixa taxa de penetração da Internet, uma fraca penetração dos computadores pessoais, uma oferta de banda larga pouco competitiva, continuando a aceder à internet somente para usufruir de serviços básicos não tirando proveito do comércio electrónico ou outros serviços disponibilizados no espaço comum que é a internet.

Chamem-me optimista ou simplesmente ingénua mas acredito que Portugal tem a ganhar com as tecnologias de informação e de comunicação para que possamos ter a oportunidade de modernizar e desenvolver a sociedade que apesar dos avanços tecnológicos em algumas áreas ainda continua a "preferir" enfrentar filas de espera, ir às compras pessoalmente ou ir aos sitios procurar esclarecimentos quando o podia fazer com apenas um click.

Portugal ainda precisa de se modernizar bastante e aprender com as novas tecnologias, imaginem por exemplo que todas as escolas passavam a ter ambientes de trabalho virtuais, que o e-learning se expandisse mais, que os documentos fossem todos disponibilizados em formato electrónico e que no fim dos estudos obrigatórios cada aluno teria um dossier publicado... gosto de pensar que este futuro já não está muito longínquo e que aquilo que como universitária tenho acesso, passe a ser uma realidade a nível nacional, de modo a tentar diminuir a info-exclusão.

Outras modernizações seriam ao nível da Administração Pública onde se simplificaria o acesso dos cidadãos aos serviços públicos eliminando as deslocações e as filas - o envio da declaração por internet já é um começo, ficamos à espera de mais!!!

Se a sociedade de informação promove a inclusão social, o crescimento, competitividade e acesso à informação... vamos então esperar que as metas sejam alcançadas até 2010!

Quinta-feira, Março 09, 2006

Woman Power

Hoje é igualmente um dia especial porque marca o dia a seguir ao da mulher e talvez ainda devido ao espirito vos deixo com ideias da Era do Feminino.
Deambulei por aí e encontrei uma questão em que me reti, foi no http://naovaodiabotecelas.blogspot.com/ onde li se ainda haveria publicidade pela qual as mulheres nunca se iriam interessar? Quem escreveu o post atreveu-se a responder que não, uma vez que as mulheres consomem por toda a população masculina em duplicado.
Quer-me parecer que se atreveu muito bem e concordo porque é só juntar as peças do puzzle, ora vejam.

Todos já vimos muitos anúncios ao AXE e como têm sempre todos o mesmo objectivo, o de querer mostrar aos homens que usando AXE se vão tornar uns grandes conquistadores. Outro exemplo é o do anúncio à Gillette direccionado a estimular a beleza exterior do homem como capaz de agradar mais às mulheres.
No entanto temos de olhar por uma outra perspectiva e que tal como li no post as mulheres são responsáveis também pelo consumo de produtos inicialmente destinados ao público masculino, basta pensar que as mulheres querem que o seu mais-que-tudo cheire tão bem como eventualmente cheira o senhor do anúncio e também querem que a cara dele seja macia tal como a de David Beckam.

É uma falsa ilusão se pensarmos que ainda se fazem anúncios a pensar no público-alvo de acordo com o género porque a verdade é que com os anúncios a detergentes aparecem cada vez mais homens e em anúncios “masculinos” se tenta chamar a atenção da mulher de alguma maneira.

Indo ao encontro do dito post acredito que a tendência se encontra mesmo em apostar em publicidade que capte a audiência feminina pois é o sexo mais consumista.
Mas também é importante salientar como esta Era do Feminino tem vindo a modificar outras tendências, achei curioso que no blog http://eradigitalucp.blogspot.com/ se falasse no “woman power” e no facto de aos poucos a realidade feminina se estar a impor não só na indústria informática mas também na do automóvel, das telecomunicações e até mesmo de digitalizações. Era impensável há uns anos atrás ver-se uma mulher a fazer publicidade a um carro ou até mesmo com um interesse súbito pela fotografia ou por telemóveis que na época não sobressaltavam o toque feminino como agora mas a verdade é que tudo vai cada vez mais ao encontro daquelas que são as necessidades da mulher.

Como ideias máximas deste apanhado de ideias, pode-se concluir que a mulher está cada vez mais poderosa, toma cada vez mais decisões e por isso é um elemento fundamental para a publicidade funcionar. Com o tempo a mulher tem vindo a impor o seu charme e as tendências têm-se alterado por sua causa. Daí que não sejamos ingénuos porque à mulher nunca vai deixar de haver publicidade pela qual não se interesse ou à qual não deva chamar a atenção, pois quem contribui para as estatísticas consumistas directa ou indirectamente (incentivando os outros) são as mulheres.