Bolonha - uma oportunidade ou uma ameaça?

Está então na altura de vos apresentar o Processo de Bolonha, seus pontos fortes e suas fraquezas.
Em Junho de 1999, os ministros de 29 países europeus (actualmente mais de 40 países) definiram as bases para a construção do Espaço Europeu do Ensino Superior que se quer unido, competitivo e atraente para docentes e estudantes até 2010.
A qualidade e eficácia devem manter-se através da adopção de um sistema de 2 ciclos (o pré e o pós graduado). Deve-se estabelecer um sistema de transferência e acumulação de créditos: os ECTS, e remover obstáculos à mobilidade e reconhecimento de habilitações dos estudantes.
Esta mobilidade é uma questão importante porque é por si só uma fonte de aprendizagem – contacto com diversas realidades culturais, bem ao estilo da experiência ERASMUS mas num âmbito alargado!
Com Bolonha, o ensino está centrado nos objectivos individuais de formação do estudante, de acordo com a profissão que pretende exercer. Como actualmente se trabalha por ciclos curtos, os trabalhos tendem a ser temporários e por projectos, daí que é inevitável ao estudante que tenha sido formado com base numa maior diversidade e cada vez mais terá de apostar na aprendizagem ao longo da vida, porque só inovando conseguirá vingar num mundo altamente competitivo e global.
A partir de agora será possível promover o acesso, transferência, mobilidade e comparabilidade das formações no espaço europeu do ensino superior.
A máxima de um emprego para a vida já não é válida e os estudantes sabem disso, por isso querem investir em maiores conhecimentos gerais.

Na minha opinião os futuros licenciados vão obter mais por menos. Vão ter mais facilidade a tirar um curso superior e vão ter mais competência com menos tempo de estudo, vão ser mais especializados. Até aqui concordo com o processo de Bolonha, pode ser que de uma vez por todas tirem aquelas cadeiras que existem em todos os cursos e que não servem para nada a não ser ocupar carga horária. Acredito mesmo que o objectivo da licenciatura deixe de ser o da entrada no mercado de emprego mas antes uma preparação para estudos superiores.
No entanto há algo que me deixa um pouco céptica: até que ponto alguém irá fazer mais intercâmbio do que já se faz agora?
É esta uma das muitas vantagens do processo de Bolonha mas será assim mesmo? Há colegas meus que fizeram Erasmus, estudaram no estrangeiro (Europa e EUA), estão a tirar masters em Londres, doutoramentos em Espanha, pós – graduações na Suiça… A meu ver, quem quer mesmo estudar fora de Portugal fá-lo com o sistema que existe actualmente. Gostaria de ver as estatísticas daqui a 10 anos que mostrassem o aumento da quantidade de estudantes de intercâmbio!
Resta-nos aguardar pelos resultados, onde se espera que a qualidade não se degrade pela contracção da durabilidade do curso e que o mercado de trabalho não seja injusto para com os antigos licenciados, que estes não sejam desmerecidos por terem tido uma diferente formação.
Numa Europa unida, com a mesma moeda, um parlamento europeu, quem sabe brevemente com uma constituição europeia faz todo o sentido que exista um sistema de ensin
o superior equivalente em todos os países, mas não é preciso dramatizar as vantagens deste processo! Cá para mim o que se vai passar é que os masters e os doutoramentos comecem a ser tão vulgares como uma licenciatura e lá se terá de inventar mais um título para diferenciar uns dos outros. O ensino é elitista e não é o processo de Bolonha que vai mudar esta realidade nacional.








